segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Resumos Samulson

Os apontamentos que se seguem foram facultados pela Ana Arsénio. Bom Ano 2009 :D
1. Conceitos e problemas básicos da Economia
Capítulos: 1, 6 (parte A) e 7 (parte C)

Problema central da Economia: Recursos escassos / Usos alternativos

- Terra e Recursos Naturais
Recursos ó InputsóFactores de Produção - Trabalho
- Capital

Os inputs são utilizados para produzir bens e serviços, isto é, o output. Todos os bens que envolvam a utilização de recursos escassos na sua produção são designados de bens económicos, por oposição aos bens livres. É sobre os bens económicos que nos vamos debruçar.

Deste conjunto de recursos apenas o capital é produzido pelo próprio sistema económico. Designamos por capital todos os bens duráveis de uma economia que são utilizados para a produção de outros bens, tais como fábricas, estradas, máquinas, equipamentos, edifícios, meios de transporte, etc.

- O que produzir
3 grandes questões da Economia - Como produzir
- Para quem produzir
Isto é,
As sociedades têm que decidir quais os bens e serviços que vão produzir e em que quantidades, quais as técnicas que vão utilizar para combinar os factores de produção disponíveis por forma a obter o output que desejam e por fim a quem é que esse output se destina. Ao longo do semestre iremos ver que a resposta a essas questões na maioria dos países é dada por Mercado + Estado.

Ilustração do problema da escassez: A Fronteira de Possibilidades de Produção
O output gerado por uma economia encontra-se limitado pelos recursos disponíveis e pela tecnologia existente. Sendo os recursos escassos e tendendo as necessidades humanas para infinito é necessário decidir qual a afectação que vai ser feita desses recursos. Simplificando a realidade, partindo do princípio de que apenas existem dois sectores de actividade na Economia (X e Y), as possibilidades de produção podem-se resumir num simples gráfico que nos mostra as diversas combinações das quantidades máximas de X e Y que é possível produzir nessa Economia com os recursos disponíveis e com a tecnologia existente – Fronteira de Possibilidades de Produção (FPP).
Qualquer um dos pontos sobre a FPP é possível e significa que se está a produzir o máximo face aos recursos e tecnologia existentes, logo é um ponto em que temos pleno emprego dos recursos e eficiência produtiva. O comportamento decrescente da FPP reflecte a escassez desses recursos: só é possível aumentar a produção de X, reduzindo a de Y, e vice-versa.

Qualquer ponto exterior à FPP é impossível, nem os recursos nem a tecnologia permitem produzir simultaneamente essa quantidade de X e Y. Um ponto interior é possível, significa que a Economia se encontra a produzir aquém do máximo. Porquê? Desemprego de recursos ou ineficiência na utilização dos mesmos.

Ao longo do tempo as FPPs das sociedades vão sofrendo alterações, pois varia o nível de recursos e há evolução da tecnologia. Dizemos que há progresso técnico quando com a mesma quantidade de recursos se consegue produzir uma maior quantidade de output. Assim, havendo aumento de recursos e/ ou progresso técnico a FPP afasta-se da origem, pois aumentam as possibilidades de produção dessa economia.
Bem Y



Bem X
Havendo uma redução dos recursos disponíveis de uma economia, por exemplo, devido a uma guerra ou catástrofe natural, a FPP recua, aproximando-se da origem.

Bem Y


Bem X

Em geral as FPPs são côncavas em relação à origem, pois os custos de oportunidade são crescentes. O custo de oportunidade de algo consiste no valor de tudo o que se prescindiu (sacrificou ou abdicou) para se obter esse algo. Assim o custo de oportunidade de produzir uma unidade de X será a quantidade de Y a que é necessário renunciar. A existência de custos de oportunidade decorre naturalmente do problema da escassez. Como só é possível aumentar a produção de X recorrendo a recursos que estão afectos à produção de Y, o crescimento da produção de X obriga necessariamente à renúncia de algumas unidades de Y.

Porquê que os custos de oportunidade são crescentes? Nem sempre é fácil transferir recursos de um sector produtivo para outro. Como os primeiros recursos a ser transferidos de Y para X são os que mais facilmente se adaptam ao novo sector, inicialmente os custos de oportunidade são baixos. À medida que vai aumentando a produção de X passa a ser necessário ir buscar a Y recursos menos adaptáveis ao novo sector, o que eleva os custos de oportunidade.

Teoria da produção e produtos marginais
Vimos então que para obter uma determinada quantidade de output são necessários determinados inputs ou factores de produção. Nem sempre para se aumentar a quantidade de output se eleva a quantidade de todos os inputs. Pode-se aumentar a quantidade utilizada de um factor de produção (factor que consideramos variável), mantendo constante a quantidade utilizada dos restantes (factores que consideramos fixos). Nesse caso o output vai aumentando, mas a partir de certa altura os acréscimos de output por unidade adicional do factor variável começam a ser cada vez menores. É a famosa Lei dos Rendimentos Decrescentes, que resulta dessa combinação de um factor variável com outros fixos.

Consideremos por exemplo uma exploração agrícola de girassóis, em que tanto a quantidade de terra como de capital são fixas, variando apenas o número de trabalhadores. Designa-se de Produto Marginal do Trabalho o acréscimo da produção de girassóis originado por cada trabalhador adicional que foi colocado nessa exploração agrícola.
Exemplo:
Nº Trabalhadores
Output(em Kg)
PMeL
PMgL
0
0
---
---
1
1.000
1.000
1.000
2
3.000
1.500
2.000
3
3.750
1.250
750
4
4.400
1.100
650
5
5.000
1.000
600

PMeL - Produto Médio do Trabalho
PMg L – Produto Marginal do Trabalho

, em que D designa variação.

Neste exemplo verifica-se que a partir do 3º trabalhador o Produto Marginal do Trabalho começa a diminuir, ou seja, começa-se a verificar a Lei dos Rendimentos Decrescentes. O acréscimo de girassóis gerado pelo 3º trabalhador foi menor do que o gerado pelo 2º, que por sua vez tinha sido maior do que o do primeiro.

Quando se calcula então o Produto Marginal, ou médio, de um factor de produção relaciona-se a quantidade de output com a quantidade desse input, mantendo constante a quantidade utilizada dos restantes inputs.

Existe uma certa relação entre produto médio e produto marginal. O declínio do Produto Marginal de um input provoca a redução do seu produto médio.
Uma das causas subjacentes ao carácter crescente dos custos de oportunidade é precisamente a Lei dos Rendimentos Decrescentes.

Consideremos agora uma alteração conjunta e na mesma proporção da quantidade utilizada de todos os inputs (Terra, Trabalho e Capital). Qual seria efeito sobre a quantidade obtida de output? Ou seja, como são os rendimentos à escala?

Se o output crescer na mesma proporção dos inputs, dizemos que os rendimentos são constantes à escala. Se o output crescer numa proporção mais elevada, os rendimentos são crescentes à escala. Pelo contrário, se o output crescer menos do que proporcionalmente aos inputs dizemos que os rendimentos são decrescentes à escala.

Em geral na agricultura observamos rendimentos decrescentes à escala, pois à medida que aumenta a quantidade utilizada de terra, vai diminuindo a fertilidade da terra adicional. Triplicando a superfície cultivada, assim como o número de trabalhadores e de instrumentos agrícolas utilizados pode, por exemplo, levar apenas a uma duplicação da quantidade de girassol. Isto porque o primeiro hectare de terra era mais fértil do que o 2ºe 3º.















1. Elementos fundamentais da oferta e da procura
Capítulo: 3

O mercado de um bem (ou serviço) é constituído por todos aqueles que o desejam comprar (consumidores) e todos os que o desejam vender (produtores). Estes dois subconjuntos de agentes económicos têm interesses divergentes, pois aos consumidores interessa comprar o bem pelo preço mais baixo e os produtores querem vender pelo preço mais alto. Da sua interacção no mercado acaba por resultar uma conciliação.

À relação entre a quantidade procurada de um bem e o respectivo preço, permanecendo tudo o resto constante, chamamos função procura. A procura mostra assim a quantidade que os consumidores desejam adquirir para os diferentes níveis de preço. É uma função decrescente do preço, pois quanto mais baixo for o preço maior será a quantidade procurada.

À relação entre a quantidade oferecida de um bem e o respectivo preço, permanecendo tudo o resto constante, chamamos função oferta. A oferta mostra a quantidade do bem que os produtores/ vendedores desejam vender para cada nível do preço. É uma função crescente do preço, pois quanto mais elevado for o preço maior a quantidade oferecida.

Procura (D)
Oferta (S)
E
PE
P
QE QGraficamente:
P - preço
Q - quantidade
E – ponto de equilíbrio



No ponto de intersecção entre a oferta (supply) e a procura (demand) a quantidade procurada pelos consumidores é exactamente igual à quantidade oferecida pelos produtores/ vendedores, é a quantidade de equilíbrio. O preço PE (preço de equilíbrio) assegura que ambas as partes do mercado estão satisfeitas, pois por esse preço os consumidores desejam adquirir exactamente a mesma quantidade que os produtores desejam vender.
Em desequilíbrio 2 situações são possíveis:
1) Excesso de oferta
P > PE => Quantidade Procurada < oferecida =""> ¯ P até P=PE

2) Excesso de procura
P < pe =""> Quantidade Procurada > Quantidade Oferecida => ­ P até P=PE

Se houver flexibilidade de preços os desequilíbrios tendem a ser temporários, pois a variação do preço assegura que se regresse ao ponto de equilíbrio E.

Deslocações da procura/ oferta
Quando desenhámos as curvas anteriores partimos da hipótese de que todos os factores diferentes do preço que afectam a procura e a oferta permaneciam constantes, apenas variava o preço. É a famosa hipótese ceteris paribus, expressão latina que significa “tudo o resto constante”.

Mas há outros factores que afectam a procura e a oferta dos bens e serviços para além do respectivo preço.

Procura
No caso da procura de um bem, havendo um aumento do rendimento dos consumidores, por exemplo, aumentará a quantidade procurada pelos consumidores para todos os níveis de preço e por isso a curva da procura desloca-se para cima e para a direita, elevando-se o preço e a quantidade de equilíbrio.
Q
D
S

P
D’





Se pelo contrário houver uma redução do número de consumidores, a procura diminui, isto é, para todos os níveis de preço há uma redução da quantidade procurada e por isso a curva da procura desloca-se para baixo e para a esquerda, diminuindo o preço e a quantidade de equilíbrio.

Q
D’
S

P
D





Oferta
No caso da oferta, havendo alterações das condições de produção, tais como os custos ou a tecnologia, para todos os níveis de preços há variações da quantidade oferecida e como tal a oferta desloca-se.

S’Por exemplo, se houver uma subida dos custos de produção do bem, a sua oferta desloca-se para cima e para a esquerda, elevando o preço e descendo a quantidade de equilíbrio.
Q
D
S

P





Numa situação de progresso técnico aumenta a quantidade oferecida para todos os níveis de preço, pois com a mesma quantidade de inputs os produtores passam a obter uma maior quantidade de output e por isso desejam vender mais. Assim a oferta desloca-se para a direita e para baixo, descendo o preço e aumentando a quantidade de equilíbrio.
D
S

P
S’





Atenção:
1) Distinguir movimento ao longo da curva de deslocamento da curva
- Movimento sobre a curva da procura (ou oferta): variação da quantidade procurada (ou oferecida) face à variação do preço, permanecendo tudo o resto constante.
- Deslocamento da procura (ou oferta): variação da procura (ou oferta) face à variação de factores diferentes do preço.

2) Significado do ponto de equilíbrio: igualdade entre os desejos dos consumidores e os desejos dos produtores.

























Oferta e procura em mercados concorrenciais
Capítulo: 4

2.1. Elasticidade

Elasticidade - preço da procura: mede a sensibilidade dos consumidores à variação do preço. Não é mais do que um quociente entre variações relativas:
Quanto mais elevado for o valor da elasticidade maior o ajustamento das quantidades procuradas à variação do preço. Assim classifica-se a procura em:

1) Elástica, quando E > 1;
2) Inelástica ou rígida, quando E < 1;
3) Procura com elasticidade unitária, quando E = 1.

Consideremos o seguinte exemplo:
P= 1 => Quantidade procurada = 100
P=2 => Quantidade procurada = 80


A procura deste bem é rígida face ao preço, pois a reacção da quantidade procurada à variação do preço foi pequena.

Considerou-se como preço base do cálculo da variação percentual o preço médio, assim como a quantidade média para o cálculo da variação percentual da quantidade procurada.


Casos extremos:

1) Procura perfeitamente elástica: E = µ
P
Q
D
P*




Neste caso a percentagem de variação do preço é nula, a quantidade procurada é infinita para P=P* e como tal a elasticidade é infinita.

2) Procura perfeitamente rígida: E = 0
D
P


Q
Q*


Neste caso a percentagem de variação da quantidade procurada é nula e como tal o valor da elasticidade é também zero. Não há qualquer variação da quantidade procurada perante alterações no preço.

Relação entre elasticidade e receita:
Sendo a receita o valor total pago pelos consumidores, isto é o produto do Preço pela Quantidade (P x Q), verifica-se que a sua evolução face à subida (ou descida) do preço depende do valor da elasticidade - preço da procura. Assim:
1) Procura elástica – subida do preço provoca uma redução da receita,
2) Procura rígida – subida do preço provoca uma subida da receita total,
3) Procura com elasticidade unitária – subida do preço não altera a receita.

Elasticidade – preço da oferta: define-se, tal como a elasticidade da procura, face ao preço, não é mais do que o quociente entre a percentagem de variação da quantidade oferecida e a percentagem de variação do preço. Como o valor é positivo não é necessário colocar entre módulos.
Tal como acontecia com a procura, assim temos:
- E > 1 => Oferta elástica,
- E < 1 =""> Oferta rígida,
- E = 1 => Oferta com elasticidade unitária.

Quanto maior for o horizonte temporal do produtor mais elástica é a sua oferta, pois maior é a sua capacidade para ajustar as quantidades produzidas face à variação do preço. No longo prazo todos os factores de produção são variáveis, mas no curto há alguns fixos (não é possível alterar a quantidade utilizada). Por exemplo, no período de 1 mês não é possível alargar as instalações de uma fábrica (factor fixo), mas consegue-se aumentar o número de trabalhadores (factor variável).


2.2. Aplicações da oferta e da procura

- Fixação de preços mínimos: P mínimo > P E => excesso de oferta
- Fixação de preços máximos: P máximo < pe =""> excesso de procura
- Efeitos da aplicação de um imposto/ subsídio por unidade produzida e vendida: depende da elasticidade relativa da procura e da oferta.

“Quanto mais elástica for a procura relativamente à oferta maior será o efeito sobre o produtor.”










3. Procura e comportamento do consumidor
Capítulo: 5

Teoria da utilidade
Todos consumimos bens porque eles nos proporcionam um determinado bem estar, nos dão uma determinada satisfação, têm uma determinada “utilidade” para nós. A partir do rendimento limitado de que dispomos escolhemos adquirir os bens que têm uma maior utilidade. O objectivo de qualquer consumidor é maximizar a utilidade total.

Utilidade total ≠ Utilidade Marginal

Supondo o consumo semanal de maçãs, por exemplo. A utilidade total é a satisfação que a quantidade total consumida de maçãs proporciona ao consumidor. Pelo contrário, a utilidade marginal de uma maçã é o acréscimo de utilidade total que cada maçã adicional proporciona ao consumidor.

Quantidade
Utilidade Total
Utilidade Marginal
0
0
---
1
18
18
2
30
12
3
40
10
4
45
5

A utilidade marginal dos bens tende a ser decrescente – à medida que aumenta a quantidade consumida o acréscimo de satisfação por cada unidade adicional do bem vai sendo cada vez menor. É a Lei da Utilidade Marginal Decrescente. Porquê? Porque as primeiras unidades consumidas tendem a proporcionar uma maior satisfação aos consumidores. Se isto acontece, o preço que os consumidores estão dispostos a pagar pelo bem vai diminuindo à medida que o consumo aumenta, o que se traduz numa curva da procura decrescente.

Utilidade Marginal Decrescente => Curva da Procura Decrescente
Maximização da utilidade total
Conhecendo os preços dos n bens que compõem o cabaz de compras de um determinado consumidor, a condição para que ele maximize a sua utilidade total, isto é, a satisfação que esse consumo lhe proporciona é:

UMg1 = UMg2 = …= UMg n
P1 P2 Pn

em que UMgi e Pi representam, respectivamente, a utilidade marginal e o preço do bem i, com i = 1, 2, 3, …, n.

O consumidor maximiza assim sua utilidade quando a utilidade marginal por unidade monetária é igual para todos os bens.

Se eventualmente esta igualdade não se verificar o consumidor está em desequilíbrio e tem tendência para ajustar o seu consumo. Supondo que apenas existem dois bens, 1 e 2, no cabaz de compras do consumidor e que se verifica esta desigualdade:

UMg1 > UMg2
P1 P2

Neste caso a última unidade monetária aplicada no consumo do bem 1 proporciona ao consumidor uma utilidade adicional maior do que a última unidade monetária gasta no bem 2. Sendo o consumidor racional, e uma vez que o seu objectivo a maximizar a sua satisfação global, tem tendência para consumir mais do bem 1. Como o seu rendimento é limitado, só consegue aumentar o consumo do bem 1 se diminuir o consumo do bem 2. À medida que vai aumentando a quantidade consumida do bem 1, a sua utilidade marginal vai diminuindo, pois verifica-se a Lei da Utilidade Marginal Decrescente. Com o bem 2 observa-se exactamente o contrário. À medida que diminui a quantidade consumida do bem 2 a sua utilidade marginal vai aumentando. Conclusão: o consumidor tem tendência para ajustar o seu consumo até que se verifique aquela igualdade.



Excedente do consumidor
O quadro seguinte mostra-me a Utilidade Marginal dos vários cafés que um determinado consumidor toma por dia. Estando essa UMg representada em unidades monetárias, Euros, indica o preço máximo que o consumidor está disposto a pagar pelo bem, que por hipótese é transaccionado no mercado por 50 cêntimos.

Quantidade
Utilidade Marginal
Utilidade Total
0
0
---
1
3
3
2
1
4
3
0,5
4,5
4
0,3
4,8

Este consumidor racional irá consumir cafés enquanto a utilidade marginal for superior ou igual ao preço, isto é, enquanto o benefício for maior ou igual ao custo. Assim a quantidade de cafés que ele irá consumir por dia será 3.

Acontece que pelo 1º e 2º café o preço que o consumidor está disposto a pagar é mais elevado do que aquele que efectivamente paga. Tem um excesso de benefício face ao custo. É este excesso que designamos de Excedente do Consumidor. Isto porque o preço que se paga no mercado por um café é sempre 50 cêntimos, independentemente de ser o primeiro ou o último do dia. Sendo a Utilidade Marginal decrescente o preço que o consumidor está disposto a pagar pelo bem vai diminuindo e por isso o excesso de benefício face ao custo por unidade consumida diminui à medida que se consome mais. O total do excedente do consumidor é:

(3-0,5) + (1 – 0,5) = 3 Euros

Explicação do comportamento decrescente da procura:
- Utilidade Marginal decrescente
- Efeito substituição + Efeito rendimento

Procura de mercado: soma horizontal das curvas de procura individuais
4. Análise de custos
Capítulo: 7

Podemos dividir os custos de produção em Custos Fixos (independentes da quantidade produzida) e Custos Variáveis (dependem da quantidade produzida).

CT(Q) = CF + CV
CT(0) = CF, pois CV(0) = 0

Custo Médio = CT/Q = (CF+CV)/Q = Custo Fixo Médio + Custo Variável Médio

Custo Marginal – acréscimo de custo total por cada unidade adicional que é produzida.

Custo Marginal = ΔCT/ΔQ

Em geral no Curto Prazo, quando determinados factores de produção são fixos, o Custo Médio, o Custo Variável Médio e o Custo Marginal são curvas em forma de U, isto é, são inicialmente decrescentes em relação à quantidade produzida (Q) e depois tornam-se crescentes. A partir do momento que se verifica a Lei dos Rendimentos Decrescentes o Custo Marginal é crescente.

Verifica-se sempre:
Custo Marginal = Custo Médio quando Custo Médio é mínimo

Custo Marginal = Custo Variável Médio quando Custo Variável Médio é mínimo

sábado, 29 de novembro de 2008

Historia do Pensamento Economico

Os resumos aqui apresentados são retirados de uma obra do Prof. Doutor Fernado Araúdo da FDUL e do ISEG.
História do pensamento económico
Mercantilismo – séc. XVI e XVII
o Dirigismo – O Estado/poder central intervém/dirige a economia.
o Metalismo - O Estado é tanto mais rico quanto mais metais preciosos tiver → arrecadação de metais preciosos
o Estado autárcito → subida das pautas alfandegárias → mercados fechados (para retenção dos metais)

Aplicação do mercantilismo nos diferentes países:
o Espanhol ou bolionista – arrecadação de metais preciosos na sua fonte através do acesso directo às minas de ouro e prata das colónias da América Central e do Sul. As preocupações de industrialização não eram preponderantes face à exploração colonial. Contudo, a arrecadação directa de metais trazia a preocupação de não os deixar sair do país → medidas de cunho alfandegário ou aduaneiro (insuficientes dado o atraso da industrialização)
o Francês ou colbertismo ou mercantilismo industrial – arrecadação de metais através da produção e exportação de bens manufacturados → desenvolvimento da industria manufactureira – especialmente têxtil – com forte intervenção do Estado.
o Inglês ou balança de pagamentos – arrecadação de metais originada pelo saldo positivo do comércio externo pelo pagamento da prestação de serviços – fretes, seguros... Intervenção do Estado na defesa do comércio (Acto de Navegação – as companhias inglesas tinham o monopólio de comércio nos portos ingleses). Fascínio pelas cidades fenícias e os Países Baixos.

Escola Fisiocrática – séc. XVIII
o A economia rege-se por uma ordem natural (Quesnay – médico - visão organicista da economia) com um fundamento divino/metafísico → o Estado não deve intervir na economia
o A intervenção do Estado empobrece as populações
o O sector económico mais importante é a agricultura (o único verdadeiramente produtivo pois os outros apenas transformam o seu produto) → a terra é o factor de produção mais importante

Escola Clássica – séc. XVIII
o A economia rege-se por uma ordem natural com um fundamento empírico (Adam Smith)
o Opõe-se ao dirigismo económico - o Estado deve abster-se de possuir e controlar a economia.
o O trabalho é o principal factor de produção (a teoria das vantagens absolutas e comparadas, tendentes à especialização, trarão a desumanização das tarefas dos trabalhadores)
Adam Smith - Fundador da moderna escola económica - 1776 – Investigação sobre a origem da riqueza das nações (provém da capacidade de produzir bens capazes de satisfazer necessidades)
o Teoria das vantagens absolutas - postulado da racionalidade económica – obter os maiores benefícios pelos menores custos possíveis → cada nação deve dedicar-se à produção máxima dos bens nos quais é mais eficiente do que todos os outros produtores, dividindo os seus meios por essas várias produções → divisão social do trabalho
o Diferenciação dos agentes no mercado pela sua eficiência resultante de capacidades inatas ou adquiridas
o A riqueza das nações aumenta com a divisão e especialização do trabalho entre elas → maior produtividade (capacidade de trabalho e de produção, acumulação de bens e de capital), redução de custos e produção excedentária
o Livre-cambismo internacional (as nações são tanto mais ricas quanto mais trocarem)
o “Mão-invisível” – geração espontânea do funcionamento dos mercados - a produção de um bem resulta da conjugação de capital e trabalho (especialmente este) numa sucessão interminável de relações e dependências económicas, com a participação de uma rede extensa e desconhecida de agentes económicos movidos pelo egoísmo individual → o mercado coordena todas as decisões. Como tudo provém da iniciativa privada e da liberdade, o mercado tem uma capacidade auto-reguladora
o Quanto maior a especialização, maior a força da “mão-invisível” (em contrapartida, quanto menor a especialização, menor a dependência económica, menores os riscos → auto-suficiência/autarcia → a curva de possibilidades de produção é igual à curva de possibilidades de consumo)

Paradoxo de Adam Smith - definido por David Ricardo
Sobe o preço de um bem → é rentável aumentar a produção, mesmo que fique mais caro produzir → a oferta sobe (mantendo-se a procura) → o preço desce → deixa de ser rentável continuar a investir → foi alcançada a produção marginal

Problema dos limites do mercado (presente na teoria das vantagens absolutas e comparativas) - afecta a especialização
Para o livre comércio de produtos (resultado dos excedentes provocados pela especialização) o mercado (para efectuar a troca) necessita de informação acerca da actividade dos outros produtores (para saber quais os produtos disponíveis para a troca) e de uma convergência de interesses → problema da dimensão do mercado (o mercado pode não ter procura suficiente para o excesso de produção ou variedade de bens que satisfaçam as necessidades daquele que se especializou) → só existe desenvolvimento económico se todos se especializarem, aumentando a dependência → assunção de riscos no mercado (nenhuma informação é tão completa quanto o produtor desejava)

Os Métodos de Classificação (Durkheim e Prof da Camara)

14/11/08
Classificação das ciências sociais (Durkheim) – Abordagem pragmática – o estudo da realidade social é complexo. O sociólogo tenra compreender as particularidade e só depois o geral.
Morfologia Social – ciências particulares, posições geográficas, as relações com o meio físico. Como se estuda? Descreve-se o que se vê. A demografia, a Geografia Humana e Ecologia social
Fisiologia Social – ciência particular – é mais complexa – estuda as manifestações vitais sociais da sociedade, os processos de intervenção social entre indivíduos ou grupos de indivíduos.
Sociologia económica – tem a ver com os recursos e endividamento das famílias.
Linguística – importante pois a língua é coerciva e social
A classificação de Durkheim é uma classificação echada pois só contempla certas áreas.


Classificação alternativa do Professor Doutor João Bettencour da Câmara.
*Não há o objectivo de apresentar um tópico de disciplinas.
*É um critério lógico, ou seja, a natureza do objecto de estudo
*Há uma divisão em Sociologia Geral e Sociologias Particulares que se subdividem em Sociologias Parcelares; Sociologias especiais e Sociologias Mistas ou Compósitas.

Sociologia Geral: fala-se a propósito de que a sociologia abarca todas as realidades sociais sobre todos os pontos de vista.

Sociologia Mistas ou Compósitas: Estuda uma parte da Sociologia como a S. da Economia numa vertente específica, como a Família.
21/11/2008

Regra básica de Durkheim: pode-se desenvolver os estudos sobre natureza particular num sítio e compará-lo noutros sítios, mas os pressupostos de investigação têm de ser idênticos.

Tempo Sociológico: é medido através das mudanças sociais.

Redes sociais: formas de representação dos relacionamentos dos seres humanos entre si ou entre seus grupos de interesses mútuos. A rede é responsável pela partilha de ideias entre pessoas que possuem interesses e objectivos e valores em comum.

Bettencour vai beber a Comte e a Durkheim para formular a sua classificação.
A Sociologia Geral continua a ser uma ciência de síntese. A Classificação alternativa é apresentada pelas outras existentes serem limitativas. Não é uma perspectiva fechada, é uma perspectiva aberta.
A Sociologia Geral é uma abordagem de síntese, com os diferentes contributos das sociologias particulares.
Sociologias particulares:
Especiais: ?????????????????????????????????
Parcelares: são da Família, da Religião, constituem uma parcela da sociedade.
Mistas ou compósitas: especialização maior, uma única parcela sobre um único ponto de vista. Como S. Económica da Família.

Na sociologia geral a preocupação é analisar toda a realidade sob todos os pontos de vista.
Nas Sociologias especiais a preocupação é analisar toda a realidade sob um único ponto de vista.
Nas Sociologias Parcelares a preocupação é analisar uma só realidade sob todos os pontos de vista.
Nas Sociologias Mistas ou Compostas preocupa-se só com uma realidade e com um único ponto de vista.

A Sociologia geral pode ser Sincrónica ou seja as relação que se estabelecem ao longo do tempo e da estrutura; ou Diacrónicas, isto é, estudam-se as mudanças na estrutura (todas as estruturas vão mudando ao longo do tempo) o que tem realmente a ver com a mudança nas estruturas, estudando a mudança em si. A diacronia é o espaço entre um sincronia e outra, é a passagem de uma sincronia para a outra. É uma passagem não simples, pois há uma alteração de forças de poder. A diacronia é um momento preciso de mudança ou o estudo dos elementos da mudança.

25/11/2008

Classificação Alternativa:
Sociologia geral: Sincrónica ou diacrónica
Sociologias Particulares: Parcelares, especiais ou Mistas / Compostas.

A Sociologia geral é uma ciência de síntese com duas abordagens. A Diacrónica estuda a mudança de estrutura (no interior) independente do tempo que muda, que tem ressonância em toda a estrutura. A Sincrónica estuda as relações que se estabelecem entre os elementos de uma estrutura num determinado tempo. Ambas as abordagem são válidas.

A Sociologia é autónoma (tem autonomia do seu objecto), como qualquer outra ciência, contudo, necessita de protocolos com outras demais ciências.
Disciplinas auxiliares da Sociologia:
Cientificas – ocupam-se do que é a realidade, método indutivo em empírico, partem da realidade para a teoria. (Biologia e psicologia (áreas de fronteira com a sociologia); etnologia (estuda os comportamentos sociais dos animais não se pode transpor a analise, mas ajuda a compreender o comportamento humano e biológico) e a matemática (métodos quantitativos).
Filosofias – assentam no rigor do modo de conhecer. Método dedutivo. Partem da teoria para a realidade. (filosofia (mãe de todas as ciências), filosofia da ciência (é um ramo da filosofia que se preocupa com a ciência em si), lógica (analise dos argumentos, se o que é dito faz sentido), epistemologia e “ética” (se as proposições são correctas para a humanidade)
Normativas – ocupam-se de como deve ser a realidade.

28/11/2008

Classificação alternativa das ciências sociais

Disciplinas auxiliares da sociologia:
A) Cientificas
B) Filosóficas
C) Normativas

A) Usam o método indutivo, ou seja, da prática passam para a teoria. Quem estudar o que é a realidade?
B) Usam o método dedutivo, ou seja, passam da teoria para a prática. A Filosofia é a mãe de todas as ciências. A Filosofia das ciências é um ramo da filosofia geral que não é mais do que uma reflexão dos diferentes passos que se dão para a construção da ciência. A Epistemologia tenta perceber a consistência da argumentação, ou seja, as regras de bem pensar. A lógica (de Aristóteles e de Platão) preocupa-se com que as preposições sejam lógicas, isto é, é o rigor da lógica de bem conhecer. A ética preocupa-se com a os processos correctos ou não da investigação.
C) Usam também o método dedutivo, sendo o principal axioma “como a realidade deve ser”. O Direito é o conjunto de pressupostos rigorosos. Impõe uma ordem jurídica em consonância social. O Direito é um produto social. A religião exerce influência sobre os indivíduos; não é uma ciência pois assenta em dogmas, o que é produzido são actos de fé; o fim é Deus. A moral tem estreia relação com a religião pois as regras são origem religiosa; não há crenças; mas há sanções sociais como a critica, o isolamento social. A ética estuda se os pressupostos para se chegar a uma investigação são os correctos.

Principio/código deontológico do Sociólogo: (informação retirada do site: http://www.aps.pt/?area=000&marea=001&PHPSESSID=94a870b40d714aaa5e90eb47db013bb9)

Preâmbulo
A actividade profissional dos sociólogos é uma prática social: desenvolve-se em sociedade e produz efeitos sociais. O reconhecimento das responsabilidades profissionais e sociais que necessariamente daqui decorrem está na base da elaboração do Código Deontológico dos sociólogos.
Quaisquer que sejam os papéis profissionais dos sociólogos – de investigador, professor, técnico, consultor, quadro dirigente ou outros – o trabalho sociológico é uma actividade de base científica, assente em competências próprias de elevada qualificação, decorrentes de uma preparação específica em sociologia, nos planos teórico, metodológico, técnico e relacional.
O exercício dessas competências pressupõe grande autonomia de critérios no desempenho da actividade profissional. Em contrapartida e indissociavelmente, implica consideráveis responsabilidades profissionais e sociais.
O Código Deontológico tem como preocupação fundamental explicitar os principais tipos de responsabilidades dos sociólogos para com financiadores e clientes, alunos e colegas, inquiridos e entrevistados, grupos e instituições alvo de pesquisa ou intervenção, outras fontes de informação e contextos sociais que possam ser afectados; em termos gerais, responsabilidades para com a sociologia e a sociedade.
A prática sociológica partilha princípios gerais da ética científica. Mas reconhece que a ciência é ela própria uma instituição social; que se tem vindo a desenvolver várias maneiras de entender a prática sociológica; e que a actividade profissional dos sociólogos inclui, a par da investigação científica, outras dimensões do relacionamento social e outros papéis profissionais, com as suas exigências deontológicas próprias.
A pluralidade é um dado constitutivo do campo da sociologia, designadamente quanto aos quadros teóricos, métodos de pesquisa e saberes operatórios susceptíveis de orientarem a prática científica e profissional. As perspectivas e os instrumentos são diversificados e evoluem com o tempo. Os papéis profissionais dos sociólogos são vários, estão em transformação e, no respectivo desempenho, não é raro verificar-se alguma sobreposição de papéis.
A formulação dos princípios deontológicos dos sociólogos não ignora aquisições cognitivas fundamentais da sociologia, nomeadamente quanto ao carácter relacional, socialmente construído e mutável da realidade social, quanto às assimetrias de recursos e poderes existentes na sociedade e quanto à diversidade e relatividade das culturas.
Na investigação científica, no ensino, na acção técnica ou em qualquer outra vertente da prática profissional dos sociólogos estão sempre implicados interesses e valores. A própria sociologia tem dado importantes contributos para a compreensão de que esses interesses e valores podem ser diferentes ou mesmo conflituais, e de que não é possível ordená-los segundo uma escala de prioridades única e imutável.
É possível ocorrerem situações em que interesses de conhecimento e valores da prática científica não sejam facilmente compatibilizáveis com interesses e valores predominantes noutros domínios ou sectores sociais. É também usual o sociólogo defrontar-se com discrepâncias de interesses e valores entre cliente e grupo alvo de pesquisa ou intervenção; ou, em termos latos, entre diversos segmentos da sociedade sobre os quais incida, de algum modo a sua actividade profissional.
Um dos principais objectivos do Código Deontológico é constituir uma referência que ajude a ultrapassar potenciais situações de dúvida ou conflito ético no exercício da actividade profissional dos sociólogos, nomeadamente os decorrentes da pluralidade constitutiva da sociologia e da sociedade.
O Conselho de Deontologia é um corolário e um complemento do Código Deontológico.
O Código Deontológico dos sociólogos é um enunciado de princípios. Nas situações concretas da prática profissional poderão não ser sempre ou imediatamente inequívocas, à luz desses princípios as implicações deontológicas. Não é viável pormenorizar todas as circunstâncias particulares da actividade profissional. Pode acontecer que, na sua aplicação a determinados casos, diferentes princípios do Código Deontológico se revelem dificilmente conciliáveis entre si. As condições e modalidades de exercício da profissão, os conhecimentos disponíveis e a própria sociedade estão em constante mutação.
Nestas condições, o Conselho de Deontologia, visando pronunciar-se sobre situações de eventual desrespeito, do Código Deontológico, tem sobretudo como incumbências a sensibilização, o esclarecimento, o aconselhamento, a arbitragem, a acumulação de exemplos e o aprofundamento das interpretações, perante problemas deontológicos que lhe sejam colocados.
O Código Deontológico vincula os membros da A.P.S., e todos os que a ele queiram aderir enquanto referência para o exercício da actividade profissional de sociólogo. A condição mais importante para a aplicação apropriada do Código Deontológico, bem como o seu progressivo aperfeiçoamento e continuada adequação, é o compromisso para com ele e a discussão crítica das implicações deontológicas da prática profissional, por parte dos sociólogos.

A. Prática da Sociologia
A actividade profissional dos sociólogos é uma prática social, constituindo a sociologia, na sua pluralidade paradigmática, o fundamento científico dessa prática. O exercício dos diversos papéis profissionais dos sociólogos implica responsabilidades para com a sociedade e para com a sociologia.
Os sociólogos devem exercer a sua profissão de acordo com os mais elevados padrões de competência profissional ao seu alcance. Da sua conduta profissional devem fazer parte a exploração de todas as potencialidades da sociologia e uma permanente actualização de conhecimentos. Os sociólogos devem igualmente Ter presente os limites da sua disciplina e os seus próprios limites pessoais.
No desempenho dos seus papéis profissionais, os sociólogos não devem prescindir da autonomia de critérios e de procedimentos que é inerente às suas competências específicas. Tal não impede o respeito por outras exigências decorrentes dos enquadramentos institucionais ou contratuais em que exerçam a sua actividade, salvo se colidirem com os princípios expressos neste código deontológico.
Os sociólogos devem procurar conseguir a maior objectividade possível na análise da realidade social. Trata-se, não de considerar a produção de conhecimento sociológico como socialmente neutra, mas de evitar distorções deliberadas resultantes de interesses ou convicções, e de explicitar os pressupostos presentes nesta análise.
O estatuto profissional do sociólogo impõe uma postura de maior isenção possível. Implica nomeadamente procurar um relacionamento equilibrado com os diversos actores sociais, individuais ou colectivos, envolvidos no contexto da sua prática. Exclui ainda quaisquer utilizações abusivas da sua posição profissional, a qual não deve ser utilizada como falso pretexto para fins alheios à profissão de sociólogo nem, em geral, para fins fraudulentos.

B. Recolha de Informação
No exercício dos seus papéis profissionais, os sociólogos não devem violar o principio da voluntariedade de fornecimento de informação por parte de indivíduos, populações e instituições.
Nos processos de recolha de informação coloca-se frequentemente a questão das diferenças de estatuto entre os sociólogos e os indivíduos, populações e instituições que integram os objectos de estudo. Essas diferenças de estatuto não devem ser manipuladas pelos sociólogos no sentido da obtenção coerciva de informação, nem devem os sociólogos deixar-se manipular pelos informantes.
É dever dos sociólogos procurar evitar que da recolha, utilização e divulgação de informação decorram prejuízos para quem a presta ou para aqueles acerca de quem a informação é prestada. Devem, nomeadamente, salvaguardar o direito das pessoas à privacidade e ao anonimato, bem como respeitar a confidencialidade de informações e resultados, em todas as situações em que ela tenha sido acordada.
Os sociólogos têm estrita obrigação de velar pela protecção dos arquivos de informações ou bases de dados sujeitos a confidencialidade ou anonimato. Só em caso de absoluta necessidade devidamente justificada poderão esses arquivos ou bases de dados ser tramnsferidos para outros profissionais de sociologia, desde que vinculados a este código deontológico.
Nos processos de recolha de informação, os sociólogos devem ter o cuidado de explicitar junto dos informantes a sua identidade profissional, tal como a natureza, objectivos, procedimentos e enquadramentos institucional dos trabalhos que realizam.

C. Relações Profissionais
No estabelecimento de relações contratuais para o exercício das suas actividades profissionais, os sociólogos devem explicitar junto de empregadores, clientes ou financiadores a sua adesão a este código deontológico, e não aceitar compromissos que o ponham em causa.
Os sociólogos só devem assumir compromissos profissionais para cuja realização tenham competência e disponibilidade. Quando não possam corresponder a solicitações profissionais que lhes sejam dirigidas, devem procurar indicar outros sociólogos que considerem competentes para a realização desses trabalhos.
Nas relações profissionais é dever dos sociólogos respeitar plenamente os compromissos assumidos com contratadores e financiadores.
Quer no estabelecimento de vínculos contratuais quer na realização das actividades contratadas, os sociólogos devem salvaguardar a autonomia de critérios e procedimentos indispensável ao exercício das suas competências profissionais.
No desempenho dos seus papéis profissionais, os sociólogos são responsáveis tanto perante os empregadores, clientes ou financiadores como perante os grupos sociais alvo de pesquisa ou intervenção.
As preocupações deontológicas dos sociólogos devem abranger a actividade das equipas que com eles trabalhem ou das entidades que subcontratem.
Dadas as diferenças de poderes e de estatutos, de interesses e de valores que frequentemente se verificam nos contextos da sua actividade, os sociólogos devem procurar exercê-la através de um relacionamento profissionalmente isento com os diversos sectores sociais envolvidos, guiado pelos critérios próprios da sociologia, e proporcionar-lhes um esclarecimento adequado sobre os objectivos, procedimentos e resultados do estudo ou intervenção.
As relações de trabalho dos sociólogos com profissionais de outras especialidades devem obedecer a princípios de cooperação e integração interdisciplinar, sem desrespeito pelas competências específicas e autonomia profissional de cada um.
Nos trabalhos que apresentem, os profissionais de sociologia devem distinguir entre resultados de análise e propostas ou recomendações que neles se possam basear.
Sempre que no seu trabalho os sociólogos se deparem com situações que requeiram compromissos de confidencialidade ou anonimato, a produção e divulgação de análises científicas que de algum modo se lhes reportem devem situar-se no plano teórico ou metodológico e Ter um nível de abstracção que garante o respeito por aqueles compromissos.
Os sociólogos têm a obrigação de integrar, no desenvolvimento da sua actividade profissional, a avaliação dos possíveis efeitos das suas análises, propostas e acções técnicas. Porém, uma vez concluídos estudos ou intervenções, não podem ser responsabilizados por posteriores utilizações desses trabalhos que deturpem o sentido das suas conclusões. Devem, em todo o caso, procurar evitar que entidades contratantes ou outra os utilizem de forma inadequada ou distorcida.
Os sociólogos têm a obrigação de referir, nos documentos que elaborem, as entidades que financiaram ou apoiaram os estudos e pesquisas neles apresentados.

D. Ensino e Orientação
No ensino e orientação, os sociólogos devem Ter em conta a natureza específica da prática docente e as competências requeridas para o seu exercício.
No exercício da prática docente, é dever dos sociólogos apresentar aos alunos a pluralidade paradigmática que é própria da sociologia e a diversidade de papéis profissionais em que ela se desdobra, bem como sensibilizá-los para as implicações deontológicas da prática sociológica.
Os sociólogos que exerçam actividades de ensino e orientação não devem usar o seu estatuto para coagir alunos e orientandos com o fim de obter vantagens profissionais ou pessoais.
Nos trabalhos que apresentem, os sociólogos que exerçam actividades de ensino e orientação têm a obrigação de reconhecer explicitamente as eventuais contribuições de alunos e orientandos, e não devem apresentar como seus trabalhos por eles realizados.

E. Autoria e Publicações
Nas publicações e relatórios, os sociólogos devem explicitar, de modo adequado, todos os autores que os produziram. Devem ainda mencionar as eventuais contribuições relevantes para a realização dos trabalhos a que essas publicações e relatórios digam respeito.
A utilização em publicações, relatórios ou comunicações de partes de textos e de dados de outros documentos ou outras fontes deve ser objecto de referênciação explícita e de acordo com normas habituais de citação bibliográfica. É também obrigação dos sociólogos que utilizem no seu trabalho instrumentos específicos de pesquisa ou intervenção produzidos por outrém (tais como questionários, guiões, tipologias, dispositivos de intervenção técnica ou outros) referenciar devidamente a respectiva autoria.
Na elaboração de recensões bibliográficas, na avaliação de artigos com fins editoriais ou noutras actividades relacionadas com a publicação de trabalhos sociológicos, é obrigação dos sociólogos respeitar a pluralidade de orientações teóricas e metodológicas. Não devem permitir que preferências próprias se convertam em formas de exclusão, mas favorecer o debate e a crítica científicas. Devem abster-se de transpor, para actividades de recensão bibliográfica ou avaliação editorial, eventuais diferendos pessoais.
Os sociólogos devem sempre responsabilizar-se pela autoria dos documentos que produzam, não prescindindo dos direitos intelectuais correpondentes à elaboração de publicações ou relatórios, sejam quais forem os acordos estabelecidos com outras entidades a respeito dos respectivos direitos económicos.

F. Relações entre Colegas
Os sociólogos têm obrigação de manter uma atitude de exame crítico da sua própria actividade profissional e da dos outros sociólogos, nos planos científico, técnico e deontológico.
É dever dos sociólogos respeitar a dignidade pessoal e profissional dos outros sociólogos. Devem, nomeadamente, respeitar a prática sociológica exercida segundo os diversos paradigmas científicos, procedimentos metodológicos e papéis profissionais constitutivos da sociologia, sem descriminar ou denegrir colegas de profissão com base nessa diversidade, em conflitos de interesses ou em questões de natureza pessoal. Estes princípios de respeito, pluralidade e isenção aplicam-se com particular acuidade ao exercício de actividades de avaliação pedagógica, científica e profissional de outros sociólogos.
Sempre que o exercício da actividade profissional envolva equipas de que façam parte vários sociólogos, sejam essas equipas constituídas expressamente para determinados projectos ou estejam elas inseridas em contextos organizacionais mais permanentes, os termos do relacionamento profissional entre sociólogos devem estar de acordo com os princípios enunciados neste código deontológico. As responsabilidades sociais e as obrigações deontológicas nele previstas estendem-se a todos os sociólogos componentes da equipa.
Perante situações contratuais em que possam vir a substituir outros colegas, os sociólogos devem informar-se sobre as circunstâncias que conduziram a essa substituição, e não devem assumi-la se a razão que lhe esteve na base tiver sido a recusa, por parte dos colegas substituídos, em violar o código deontológico.
Os sociólogos devem conservar os instrumentos de pesquisa utilizados e os registos da informação recolhida, disponibilizando-os para a consulta por parte de colegas num prazo que seja compatível com os seus próprios interesses e obrigações profissionais, excepto quando os materiais em questão estiverem sujeitos a compromissos de confidencialidade ou anonimato.

G. Conselho de Deontologia
Conselho de Deontologia tem como incumbências gerais a sensibilização, o esclarecimento, o aconselhamento, a arbitragem, a acumulação de exemplos e o aprofundamento das interpretações perante problemas deontológicos que lhe sejam colocados.
Cabe ao Conselho de Deontologia, em particular, pronunciar-se sobre:
dúvidas apresentadas por sociólogos acerca da aplicação do código deontológico a situações concretas;
reclamações, de profissionais de sociologia ou de outras entidades, acerca de eventuais incorrecções deontológicas na prática profissional de sociólogos.

Durkheim & Prof. João da Camara

07/11/2008

Facto Social: O facto social tem duas características fundamentais: a exterioridade e a coacção. Foi em “As regras do método Sociológico” que Durkheim caracteriza os factos sociais nestes termos - “consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao individuo (existem fora das consciências individuais) e dotadas de um poder coercivo em virtude do qual se lhe impõem.”. O facto social é geral no âmbito de uma dada sociedade e, sendo exterior ao individuo, tem uma existência própria (existe independente das manifestações individuais), impondo-se como modelo de acção e de valores nos quais as pessoas são educadas. Daí o poder de coerção (características dos factos sociais. A sociedade constrange os indivíduos ao cumprimento das normas sociais que, não sendo seguidas, poderá excluir socialmente os desviantes) que exerce sobre os indivíduos.

Emile Durkheim é considerado por algumas o fundador da sociologia, por não ter-lhe dado uma abordagem tão filosófica. Foi um verdadeiro impulsionador da sociologia, sem nunca negar a origem da sociologia em Comte. Ao Contrario de Dukheim, não Considera a sociologia a religião da humanidade.
Durkheim acredita que a sociologia serve para tornar a sociedade melhor.

O método sociológico é uma pequena obra em que para além de explica o método sociológico, define o que é o facto social, e explica os alicerces da sociologia enquanto ciência.
Aplica o método para explicar os suicídios e todos os outros factos sociais.

Durkheim não nega Comte, diz que a sociologia é uma ciência após a análise das ciências e das leis das ciências. Reconhece igualmente a importância de Platão e de Aristóteles (pensadores de como a sociedade devia ser) e de Mostesquieu e Condorcet.

Durkheim nunca se interessou com a ideia de: “Como a sociedade devia ser”. A Sociologia tem que pensar o que a sociedade é, mas não exclui que os sociólogos não possam dar opinião. A sociologia tem que analisar a sociedade e dizer o que é.

Critica a Comte: Inventa a sociologia geral, não excluindo uma ciência sintética.

A Classificação das ciências é idêntica à de Comte, mas é diferente na génese.

Na época de Durkheim, a Sociologia era uma sociencia de moda que criava expectativas quanto ao resultado.

Análise de Conteúdo – durante muito tempo foi feita manualmente e estabeleceu indicadores para textos.

Ideia de Socialismo: não é uma ciência porque no final do séc 19/20, tinha-se a ideia que a sociologia podia ser uma forma de socialismo. A sociologia é uma ciência.

Classificação das ciências sociais segundo Durkheim: não quer saber das outras ciências, só quer saber das sociais. As ciências sociais são classificadas como complexas que é necessários estudá-las de forma fragmentada.

Morfologia Social: tem a ver com o facto de como olhamos para uma sociedade. Manifesta-se através da ecologia social (sociedade e o meio), demografia, geografia humana (a posição humana num espaço físico).
Fisiologia Social: área desafiante da sociologia porque são importantes para se compreender a sociedade já que são manifestações vitais da sociedade.
A sociologia pode ser: Religiosa, Moral, Jurídica, económica, linguística, estática.
Ordem social: existência de normas de comportamento, aceites pela generalidade das pessoas, que tornam a vida colectiva possível, pois estabelecem um ordem de quotidiano.

Sociologia Religiosa: Interessa a Durkheim pelos encatamentos da pessoas pela religião, pelas crenças, e pela força das instituições religiosas que influenciam toda a sociedade crente. A religião tem implicação na sociedade.

Sociologia Moral: tem implicações com a S. religiosa, mas são fenómenos distintos. A moral tem a ver com aquilo que a sociedade impõe como parte da ordem social. Existem coincidências como o não matar e outras não como o uso do preservativo.

Sociologia Jurídica: relação com a S. Religiosa e com a S. Moral, o Não matar está assente, prendo sanções físicas. A ordem jurídica não pode nunca negar a ordem social, porque a ordem jurídica é parte constituinte da ordem social.

11/11/2008

Não tenho nada, faltei à aula, se puderem, passem-me a informação.

14/11/08
Classificação das ciências sociais (Durkheim) – Abordagem pragmática – o estudo da realidade social é complexo. O sociólogo tenra compreender as particularidade e só depois o geral.
Morfologia Social – ciências particulares, posições geográficas, as relações com o meio físico. Como se estuda? Descreve-se o que se vê. A demografia, a Geografia Humana e Ecologia social
Fisiologia Social – ciência particular – é mais complexa – estuda as manifestações vitais sociais da sociedade, os processos de intervenção social entre indivíduos ou grupos de indivíduos.
Sociologia económica – tem a ver com os recursos e endividamento das famílias.
Linguística – importante pois a língua é coerciva e social
A classificação de Durkheim é uma classificação echada pois só contempla certas áreas.


Classificação alternativa do Professor Doutor João Bettencour da Câmara.
*Não há o objectivo de apresentar um tópico de disciplinas.
*É um critério lógico, ou seja, a natureza do objecto de estudo
*Há uma divisão em Sociologia Geral e Sociologias Particulares que se subdividem em Sociologias Parcelares; Sociologias especiais e Sociologias Mistas ou Compósitas.

Sociologia Geral: fala-se a propósito de que a sociologia abarca todas as realidades sociais sobre todos os pontos de vista.

Sociologia Mistas ou Compósitas: Estuda uma parte da Sociologia como a S. da Economia numa vertente específica, como a Família.

História Economica e Social

19/11/2008
Adam Smith é escocês, mas faz todo o seu trabalho em Inglaterra. A sua principal obra é a “Riqueza das nações”, fazendo parte da escola clássica.
È considerado o pai da economia e o entendedor da ciência económica. Não teoriza tanto como os analistas querem que ele teorize.
É a partir da sua obra “A Riqueza das nações” que se explica pela primeira vez a riqueza dos estados, numa explicação cientifica da origem e pressupostos da economia.
O contexto da época de quando a obra foi escrita é fortemente marcado pelo mercantilismo e das actividades comerciais. O conceito de capitslismo não aparece, mas A. Smith explica-o sem o designar desta forma. A agricultura é a actividade predominante.

Contribuições de A. Smith para a ciência económica:
Mercado auto regulável: não apareceu como conceito, mas como noção. É uma abstracção vai predominar até hoje com o intuito de existir a harmonia social (os comportamentos humanos).
A. Smith propõe que as pessoas tem que ser egoístas e pensarem no individual – mão invisível (mercado) – pois desta forma vai existir a harmonia social.
Valor económico: ruptura com Quesnay – enuncia uma teoria de valor. Só há valor económico se houver uso, ou seja, utilidade, mas chegam à conclusão que não chega para definir o preço de um bem, isto é, é necessário definir o valor de troca, o preço em si.
Tudo isto traduz-se em Trabalho, ou seja, passa a haver produção, e é o que faz com que haja riqueza das nações.
Divisão técnica do trabalho: inspiração no Taylorismo, ou seja, especialização, onde cada homem faz a sua tarefa. As máquinas são ainda pequenos auxílios, mas muito úteis, para a burguesia manufactureira.
Dogma da Poupança: vai durar até Keynes. Baseia-se no investimento em trabalho, no emprego que gera riqueza que depois gera poupança. A partir daqui o lucro é bom e assim nascem as primeiras formas de sindicatos, as associações de empresários.

É a revolução industrial que se vai aproveitar das ideais de A. Smith.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sociologia Geral - Informações

Na próxima quarta-feira (3 Dezembro), decorrerão as “Jornadas do Voluntariado” entre as 10h e as 17h30 no ISCSP. A professora Maria da Luz de Sociologia sugeriu a realização de um trabalho individual sobre o acontecimento que pode consistir no resumo/acta do dia, numa abordagem geral sobre o Voluntariado ou sobre uma Associação/Fundação de Solidariedade/Voluntariado.

O trabalho pode ter no máximo duas páginas, obedecendo aos mesmos parâmetros do trabalho de Charles Darwin até mesmo o prazo de entrega.

Bom fim-de-semana!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Info IAD

Só para avisar que na sexta feira, dia 28 de Novembro não há Introdução de Análise de Dados